2022 – Combater o fascismo para barrar o ecocídio

As fortes chuvas que atingiram São Paulo na última semana provocaram deslizamentos de terra em encostas de morros, desmoronamento de casas, transbordamento de rio e enchentes que deixaram mais de 5500 pessoas desabrigadas/desalojadas e 34 vítimas fatais. E ainda centenas de casas sem luz, bloqueio de ruas, avenidas e rodovias e estragos nas infraestruturas da capital paulista. 

Essa é uma realidade que se repete em muitas cidades pelo Brasil. Poderíamos estar falando dos impactos das chuvas recentes na Bahia, em Minas Gerais, no Rio Grande Sul ou das chuvas de ontem no Rio de Janeiro. 

Mas por que ela se repete? E por que parece que as chuvas causam cada vez mais estragos? Será a chuva a culpada? 

Há pelo menos 200 anos a operação de indústrias e fábricas espalhadas pelo mundo lançam na atmosfera milhões de toneladas de gases que provocam alterações no equilíbrio climático do nosso planeta. Por muito tempo esses gases inundaram a atmosfera, mas passaram imperceptíveis por nós, como um veneno invisível. No entanto, com o aumento das atividades industriais, a difusão dos transportes à base do petróleo (gasolina, diesel…) e a destruição de florestas para criação de gado nos últimos 50 anos, essa concentração atingiu patamares que nunca antes a Terra alcançou em tão pouco tempo. O impacto da atividade humana já é tão grande que ganhamos uma era geológica para chamar de nossa: o antropoceno

Contamos essa história porque as chuvas intensas são uma consequência dessa alteração no equilíbrio do clima planetário e eventos extremos como esses acontecerão com maior frequência nos próximos anos e décadas. Como está nítido, as mudanças do clima não são mais papo para o futuro. Elas já afetam as nossas vidas hoje. 

Mas ao contrário do que você pode estar imaginando, o objetivo dessa carta não é causar pânico. Existem saídas e é sobre elas que queremos falar. 

Se o que provoca as fortes chuvas é a alteração do equilíbrio do clima da Terra causado pela alta concentração de gases de efeito estufa, então a solução é parar de emiti-los. O grande problema é que escrever é fácil. Esse pouco conjunto de palavras esconde poderosos interesses dos donos das petrolíferas, das mineradoras de carvão mineral ou mesmo dos ricos fazendeiros donos de quilômetros de terras. Também não deixa evidente os desejos das fabricantes e montadoras de carros, caminhões e motos. E essa turma além de muito dinheiro – muito mesmo – tem influência e poder. 

É verdade que temos ouvido mais sobre carros elétricos e energias solar e eólica acompanhado do discurso da “sustentabilidade”. De fato é urgente que os automóveis não mais utilizem combustíveis à base do petróleo bem como é imperativa uma transição da energia para fontes menos poluidoras. Mas infelizmente não dá para esperar até o final do século. O acúmulo histórico das emissões até hoje fez o planeta aquecer sua temperatura

média em 1,2ºC. Esse aumento que pouco passa de uma unidade parece irrelevante, mas é suficiente para causar estragos como o da última semana em São Paulo. E a “transição” que a turma dos combustíveis, da mineração e das grandes fazendas apresentam nos apontam para um aumento de 2,7ºC. Mais que o dobro de hoje. Imagine as consequências. 

Mas não pense que o nosso inimigo é o tempo. A ciência já alerta sobre as mudanças do clima há pelo menos 50 anos. Se lá atrás as soluções tivessem sido tomadas, talvez não estivéssemos lamentando a morte de centenas de brasileiros causadas por deslizamentos e enchentes. Nossos inimigos são aqueles que, mesmo sabendo dos alertas, seguem empurrando décadas à frente a urgente transição energética. 

E é por essa razão que escrevemos essa carta para você. Estamos diante do maior desafio da nossa história como espécie: ou mudamos o sistema ou o sistema seguirá mudando o clima. Eles têm dinheiro, poder, exércitos e tecnologias… nós temos uns aos outros! 

As eleições que acontecerão esse ano em nosso país são fundamentais para darmos um importante passo para derrotar o pensamento negacionista e anti-ciência. Por isso, derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo nas urnas é, sim, importante. Mas sabemos, como dois e dois são quatro, que tampouco a eleição resolverá a emergência que vivemos. Por isso, essa carta termina com um convite para você: se some às iniciativas de resistência, se engaje nas ações para derrotar o fascismo e vamos coletivamente traçando os nossos planos para poder contra-atacar! 

Fique ligada e ligado em nossas redes!

Assinam essa carta os mandatos ecossocialistas: 

Mandata Talíria Petrone – Deputada Federal/RJ

Mandato Coletivo Flavio Serafini – Deputado Estadual/RJ

Mandato Professor Túlio – Vereador de Niterói/RJ

Coletiva Bem Viver – Vereadoras de Florianópolis/SC

Bancada Feminista – Vereadoras de São Paulo/SP 

Mandato Iza Lourença – Vereadora BH 

Mandato Matheus Gomes – Vereador Porto Alegre

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